ELECTRO DE CARA NOVA
Electro, esse velho estilo que entrou e saiu de moda mais de uma vez e que recentemente voltou a ser tocado com mais frequência nas pistas do mundo todo. Ele nunca sumiu de vez realmente pois alguma forma de electro-funk continuou sendo tocada em cidades como Detroit, Miami e até Rio de Janeiro. Mas de onde surgiu esse gênero?
Páginas: 1 · 2
TRIBO DO MAR E DO AR SAGRADO (QUATRO FRAGMENTOS DE UM LIVRO)

Nesta pérola de sua "fase africana", o genial autor de Panamérica mostra seu talento visionário num texto delirante, de ressonâncias míticas, e antecipador das atuais incursões da ficção afrofuturista.
Depois de entrar na floresta, era muito tarde e os pavões já estavam empoleirados e quietos. Quando chegaram todos, o Exu maravilha estava morto. Quem esperava o renascimento estava ali; e quem não poderia ver tinha ficado na cidade. Era muito importante ter a boca e falar tudo o que Deus tinha dito. Eram as panteras rodando em círculo em torno do morto.
Páginas: 1 · 2
A Árvore-Símbolo – Conectividade entre os Mundos Material e Sobrenatural
A árvore é um dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Os velhos baobás africanos de troncos enormes suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos imemoriais. Os mitos e o pensamento mágico-religioso yorubá têm na simbologia da árvore um de seus temas recorrentes. Na sua cosmogonia, a árvore surge como o princípio da conexão entre o mundo sobrenatural e o mundo material. As árvores “(...) estão associadas a ì gbá ì wà ñû – o tempo quando a existência sobreveio – e numerosos mitos começam pela fórmula ‘numa época em que o homem adorava árvores’...”(6).
Páginas: 1 · 2
A INSUSTENTÁVEL BRANQUEZA DO SER (1): Teoria Crítica Afro-Americana e Cibercultura

"Depois do egípcio, do indiano, do grego e do romano, do germânico e do mongol, o negro é uma espécie de sétimo filho, nascido com um véu e presenteado com uma percepção neste mundo americano – um mundo que não lhe permite nenhuma auto-consciência real, mas só o deixa ver a si mesmo através da revelação do outro mundo. É um sentimento particular, esta dupla consciência, esta sensação de sempre olhar para o seu eu através dos olhos dos outros, de medir a sua alma com a trena de um mundo que o observa com divertido desprezo e piedade. Sua dualidade (twoness) é constantemente sentida – um americano, um negro; duas almas, dois pensamentos, dois esforços inconciliáveis; dois ideais em guerra em um só corpo escuro, cuja força tenaz é apenas o que o impede de se dilacerar.
A história do negro americano é a história deste conflito - este anseio de chegar a uma natureza humana auto-consciente para fundir este eu duplo num melhor e mais verdadeiro eu".
(W. E. B. Dubois, As Almas da Gente Negra, 1903)
Páginas: 1 · 2
A CARTOGRAFIA DREXCIYA (VERSÕES PARA OUVIR) A MUTAÇÃO DREXCIYA
A partir de Detroit, o duo Drexciya procedeu durante seis anos à captação da Realidade Virtual em plano sonoro. Nas raras entrevistas publicadas, a única ilustração possível era uma fotografia de ondas, a única forma de expor a ficção deste peculiar registro do sonoro. Num tempo paralelo às máquinas e ao tele-transporte do Electro, e cujo suporte principal foi o vinil, os Drexciya inscreveram mais uma alegoria sobre o comércio e a escravatura. A transmissão foi interrompida no Verão de 1997 com a publicação do seu único CD , "The Quest", pela gravadora Submerge.
Páginas: 1 · 2
DEDOS MOLHADOS
Com a recente morte de James Stinson do Drexciya, a banda de electro de Detroit, é mais que hora de desenterrar o seguinte texto do arquivo Softwar (www.hyperdub.co.uk/softwar/). Apresentado no evento Hyperdub Speed Tribe em março de 2001, “Dedos Molhados” indiretamente explora a realidade evolucionária submergida na mitologia sub-aquática do Drexciya, fuga e mutação anfíbia desde a Middle Passage (1) da colonização atlante, e as táticas de insurgência sônica que eles compartilham com seus aliados.
Steve Goodman
Páginas: 1 · 2
PAUL GILROY: O ATLÂNTICO NEGRO
No Prefácio à lª edição de The Black Atlantic (1993), Paul Gilroy aspira que a leitura do seu livro represente uma viagem marítima pelo mundo do Atlântico Negro. Este último termo refere-se metaforicamente às estruturas transnacionais criadas na modernidade que se desenvolveram e deram origem a um sistema de comunicações globais marcado por fluxos e trocas culturais. A formação dessa rede possibilitou às populações negras durante a diáspora africana formarem uma cultura que não pode ser identificada exclusivamente como caribenha, africana, americana, ou britânica, mas todas elas ao mesmo tempo. Trata-se da cultura do Atlântico Negro, uma cultura que pelo seu caráter híbrido não se encontra circunscrita às fronteiras étnicas ou nacionais. Ao longo de 419 páginas o autor repensa a modernidade por meio da história do Atlântico Negro e da diáspora africana no hemisfério ocidental, conduzindo-nos de maneira instigante por rotas de difícil navegação.
Páginas: 1 · 2
AMANDO O ALIEN
Antecipando o pouso
“Enquanto isso,” disse ele, falando de maneira implacável, mas suave e mesméricamente, como fazem os gurus, “finalmente fui para Chicago. Tinha me determinado a não ser um músico - e em seguida, você sabe, tive essas experiências espaciais.” “A primeira experiência eu escrevi. Muito graficamente: está impressa em minha mente. Fui para o espaço através do que pensava ser um gigantesco farol de luz brilhando sobre mim. Disseram-me que queriam me levar para algum lugar, que eu tinha o tipo de mente que podia fazer algo para ajudar o planeta. Estava indo, mas foi uma jornada muito perigosa - deveria ter um procedimento e uma disciplina, tinha de ir lá para cima desse jeito” - e o velho homem levanta seus braços para a frente, como um zumbi ou uma múmia - “para evitar que qualquer parte de meu corpo tocasse o lado de fora, por que estava passando por zonas de tempo, e, se qualquer parte de meu corpo tocasse o lado de fora, não poderia trazer de volta”.
Páginas: 1 · 2
REVOLUÇÃO

Agradecimentos a toda putada real portuguesa e européia em geral pelo estrago que fizeram ao longo dos séculos no berço da humanidade - África e seus descendentes.
Thank you very much USA, por patrocinar a exploração, a inflação, a fome e a miséria do nosso povo.
BRASIL 1994
São Paulo à tarde, uma criança negra, suja, aparentemente doente, caminha devagar até o farol. Pede um dinheiro a um cara branco num Diplomata preto. Ele dá uma merreca e sai todo orgulhoso, se achando o cara. No segundo farol, um moleque negro, 17 anos aproximadamente, atravessa entre os carros. O cara do Opala saca uma pistola automática no console do carro com os olhos arregalados. Ele tem medo, fecha o vidro do carro. O Brasil é isso.
Páginas: 1 · 2
SUN RA, O VIAJANTE ASTRAL
Sun Ra dirigiu a nave do "free jazz" em direção ao cosmo. E foi no cosmo, por altura do Saturno que orbitava em torno da sua cabeça, que assentou o seu arraial de amuletos, rituais e danças galácticas.
O jazz é como o xadrez. Até certo ponto do jogo, todas as jogadas estão estudadas e catalogadas. A partir daí, apenas os mestres conseguem inovar quando confrontados com o desconhecido. Avançar torna-se um risco. Sun Ra foi um daqueles músicos da história do jazz que, com alicerces na tradição, mais longe se conseguiram afastar dela. Líder de "big band" da linhagem de Fletcher Henderson, Sun Ra dirigiu a nave do "free jazz" em direção ao cosmo. E foi no cosmo, por altura do Saturno que orbitava em torno da sua cabeça, que assentou o seu arraial de amuletos, rituais e danças galácticas. Estação espacial enfeitada com bandeirolas, alto-falantes e radiações de solário, orbitando ao som de um piano alienígena e das vibrações estelares de um sintetizador Moog.
Páginas: 1 · 2
ONE NATION UNDER A GROOVE
Um dos maiores prazeres de se gastar a sua vida entre discos é presenciar a "revelação" que um disco pode ser para uma pessoa. Sabemos o poder da música neste aspecto, quanto sua capacidade de persuasão e sedução podem nos virar do avesso em poucos minutos. Uma simples canção pode mudar a vida de uma pessoa e poder conduzir esta pessoa para esta revelação nos dá uma sensação de dever cumprido, todas as horas e camadas de tímpanos gastas não foram em vão.

Páginas: 1 · 2
MÚSICA É A MENSAGEM
A relação do tecno com o binômio homem-máquina, no diálogo com Jeff Mills, o legendário produtor de tecno de Detroit nos leva a impressionantes insights do impacto que a terceira onda tem causado na paisagem contemporânea. Detroit, essa "cidade portátil", virtualizada na minimalista batida de um sequenciador automático, profetiza em sua música - que já nos deu a Motown, Stooges, e MC5 - o zeitgeist deste início de milênio.
Páginas: 1 · 2
O SIMBOLISMO DA ÁRVORE-MUNDO NO CANDOMBLÉ: CONEXÃO ENTRE O MUNDO DOS HOMENS E O MUNDO DOS DEUSES
O simbolismo da árvore nos mitos de criação das culturas arcaicas demonstra a idéia de conectividade entre os mundos imanente e transcendente. De alguma forma, proponho traçar um paralelo entre a idéia de mundo sobrenatural na cultura africana, fortemente presente na religiosidade afro-brasileira, e a idéia atual de conexão entre o “mundo presencial”, pessoas e o ciberespaço. Nesse sentido, o foco fundamental insere-se no campo religioso, tendo em vista que a discussão passa pelas comunidades de adeptos do Candomblé na Internet. Ao pensar a questão da inserção de uma manifestação religiosa que concebe a inter-relação entre os mundos material e sobrenatural na Internet, é plausível pensar (em acordo com Deleuze) que o mito e a religião já haviam feito o homem abandonar a “pre-sença” antes mesmo das redes digitais.
Páginas: 1 · 2
SANKOFA

È um símbolo gráfico de origem Akan, tribo da África ocidental, sobretudo Gana e Costa do Marfim. A palavra tem uma conotação simbólica no sentido da recuperação e valorização das referências culturais africanas. Sankofa significa “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”, ou seja, voltar às suas raízes e construir sobre elas, o progresso e a prosperidade.
É um pássaro africano de duas cabeças e segundo a filosofia africana significa aproximadamente voltar ao passado para resignificar o presente. O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro. Resgatar a memória para continuar fazendo história no presente.
Sou católico, apostólico, baiano
Sou devoto de Santo Antônio e de Nossa Senhora do Carmo. Entrei no candomblé, tardiamente, aos 20 e tantos anos, pelas mãos de Luiza Olivetto e Lícia Fabio, que me pediram para ajudar nas obras de restauração do telhado do Terreiro do Gantois.
Fui consertar o telhado do Gantois e o Gantois consertou minha vida. O candomblé não é uma religião. É um culto. Culto aos antepassados, às forças da natureza.
O candomblé é moderno. Ele já era ecológico antes que a ecologia entrasse em voga. Ele é avançado. Não exclui opções sexuais. Ao contrário, acolhe.
Páginas: 1 · 2
Fazer a abolição de novo
A primeira abolição não resultou na emancipação econômica e educacional dos libertos. A segunda é para corrigir esse malogro.
***
Façamos a abolição outra vez. A primeira abolição não resultou na emancipação econômica e educacional dos libertos. A segunda abolição é para corrigir esse malogro fatal de nossa história, superado em gravidade apenas pelo próprio mal da escravatura. Só a partir dessa correção é que criaremos nós, os brasileiros de hoje, condições para que possa o Brasil ser útil à humanidade e a si mesmo. Tenhamos claros o problema, o perigo e a tarefa.
Páginas: 1 · 2


Comentários recentes